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Felícia de Castro PDF Imprimir E-mail

bafuda_reduzidaA trajetória da atriz, palhaça, criadora e pesquisadora Felícia de Castro se inicia em 1994 quando ingressou no curso de Interpretação Teatral da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia, com 18 anos. No princípio, passou por algumas dificuldades na universidade, pois, seu primeiro real contato com as artes cênicas começou dentro da graduação e sentia falta de vivências teatrais sem a cobrança de uma instituição de ensino destinada a uma formação profissional. No período da faculdade considera marcante para a descoberta do autoconhecimento como artista, principalmente, o contato com as professoras Hebe Alves e Meran Vargens que a dirigiram, respectivamente, nos espetáculos Mitos e História de Matar, ambos dentro da trajetória acadêmica.

Começou a se direcionar para a forma de teatro que se tornou sua linha de trabalho quando fez oficinas com o grupo Odin Teatret e uma oficina de Dança-Teatro com Ciane Fernandes em 1996. Com essas experiências vislumbrou outras maneiras de utilizar a voz, o corpo e a dança no teatro. A partir daí, começou a buscar novas vivências. Em 1998, trancou a faculdade de teatro. Queria conhecer as culturas brasileiras, certa de que se aproximaria do que acreditava no teatro. Essa escolha foi facilitada pela participação no longa Central do Brasil, de Walter Salles, no qual contracenou com Fernanda Montenegro. Nessa época conheceu e conviveu com atores do grupo Piollin, pois alguns dos integrantes também fizeram parte do filme, e com o diretor Luiz Carlos Vasconcelos (Vau da Sarapalha). Por conta dessa aproximação, saiu de Salvador e ficou seis meses em João Pessoa participando de oficina com Luiz Carlos. O plano era ficar um ano por lá, porém, foi convidada pelo diretor José Regino para ir para Brasília, substituir uma atriz que estava grávida na época e integrar o Celeiro das Antas, seu então grupo de teatro.

Com o Celeiro das Antas, teve sua primeira experiência com o teatro profissional, e com um grupo que tinha prática de pesquisa e treinamento do ator. Foi nesse período que conheceu o Lume Teatro, Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp, que foi para Felícia uma vivência que se tornou uma segunda faculdade. Vendo os espetáculos do Lume encarou ser possível trabalhar com a palhaçaria e quando voltou a Salvador já tinha um foco, um olhar. Queria ser palhaça. Só faltava o como chegar onde desejava. Foi aí então que uniu-se com João Lima e trouxe o Lume para Salvador em 1999. Com o grupo na cidade, organizaram o VIII Retiro de Iniciação a Arte do Palhaço e o Sentido Cômico do Corpo, para aprendizagem da palhaçaria. Esse processo foi para ela muito intenso e um divisor de águas.

A partir desta experiência, uniu-se à Demian Reis, João Lima, Flávia Marco Antônio e João Porto Dias e juntos criaram o grupo Palhaços Para Sempre. O grupo tornou-se um espaço de pesquisa e treinamento. Em seus dez anos de trajetória, o grupo consolidou-se através da pesquisa da arte do palhaço, criou diversos espetáculos, entre eles Bafo de Amor (João Lima e Felícia de Castro) e Jardim (prêmio duplo de melhor atriz para Felícia e Flávia Marco Antônio no Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga – CE em 2005).

A atriz se formou em 2001 com o espetáculo Apareceu a Margarida, dirigido por Paulo Dourado que foi para ela uma boa oportunidade de utilizar a comicidade que estava pesquisando. Nos anos de 2002 e 2003 foi para Campinas para estudar novamente com o Lume. Desta vez, seu objetivo era aprender além da palhaçaria e sim fazer um treinamento técnico para o ator. Quando fez o treinamento de voz, com Carlos Simioni (Voz e Ação Vocal), área na qual possuía dificuldades, percebeu seu crescimento e o rompimento de uma barreira. Somado à paixão pelas canções, a voz tornou-se outra linha de pesquisa de Felícia. Além deste, também fez cursos com Jesser de Souza (Treinamento técnico para o ator) e com Raquel Scott Hirson e Naomi Silman (Criação de Cenas e Coletas de Materiais). Este percurso coincidia com a pesquisa e processo de criação para o espetáculo solo Rosário, uma obsessão desde o início do seu trajeto artístico.

No ano de 2004, o Palhaços Para Sempre se tornou grupo residente do Instituto Cultura Casa Via Magia. É nessa época que o grupo participou do espetáculo A Era Clown – É Tempo de Palhaço, dirigido por Alexandre Casali. Com uma trajetória consolidada, o grupo já era referência na cidade e ministrava palestras e oficinas. A partir da ida para o Ceará para o Festival de Guaramiranga, Felícia começou a residir e a fazer turnês no estado com espetáculos e oficinas. Entre elas Arte do Palhaço - a arte de descobrir-se, Treinamento e criação – construindo a independência do ator e Expressão Teatral – a arte de contar histórias. No cariri conheceu o Reisado de Congo e aprendeu a brincadeira praticada pela manifestação popular caririense. A atriz chegou a passar um ano em Fortaleza, momento no qual começou a reunir todas as matrizes que tinham sido coletadas para a pesquisa do espetáculo Rosário. Com isso, começou a fazer experimentos e apresentações da obra em processo. A peça teve sua pré-estreia na 10ª Mostra SESC Cariri de Culturas.

Em 2006 fez um curso sobre Butoh com o mestre japonês, dançarino, coreografo Tadashi Endo. A experiência foi para ela também um divisor de águas que proporcionou uma compreensão da união de todos os seus interesses, entre eles a voz, o palhaço e as culturas brasileiras. A partir daí, voltou-se para organizar as vivências corporais, vocais e tudo que coletou sobre as manifestações brasileiras para unir todo esse material para o projeto de Rosário, que ia se delineando mais depois de tantas experiências vividas por ela até então. O foco inicial do projeto, em 1998, era revelar a presença do sagrado na vida humana e a construção e realização de uma ação cênica que trouxesse uma ancestralidade.

Quando retornou para Salvador, depois de uma temporada no Ceará, foi convidada pela diretora Nehle Franke, que estava na direção do espetáculo do Balé do Teatro Castro Alves (BTCA), para realizar uma iniciação de palhaço com os bailarinos. O processo foi bem sucedido e a encenadora convidou Felícia para ser sua assistente de direção. Ao fim das contas, terminou assinando a co-criação da montagem (S/Título – a hora em que não sabíamos nada uns dos outros).

Finalmente em 20 de novembro de 2009, estreia a versão final de Rosário, que a partir de então foi dirigida por Demian Reis. O espetáculo abordava a relação do ser humano com o sagrado, a questão do feminino e a formação do povo brasileiro e foi contemplado com edital Culturas Negras da Fundação Pedro Calmon. E foi sobre o processo criativo da peça que Felícia realizou sua dissertação de mestrado intitulada Ventos que Animam a Terra - voz e processo criativo na trajetória do espetáculo Rosário. Mas, mais que isso, o trabalho conta a história de suas buscas, sistematizando as pesquisas empreendidas, revelando o processo de formação de uma artista. Em 2012, foi premiada com a bolsa FUNARTE Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura.

 

Clique aqui e conheça o blog do espetáculo Rosário.

 

Veja abaixo os vídeo de trabalhos de Felícia de Castro.

 

 

 

 
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